Rota do Românico do Vale do Sousa

 

Informação Geral
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Igreja de São Pedro de Abragão 
  • Nome: Igreja de São Pedro de Abragão
  • Tipologia: Igreja/Mosteiro
  • Classificação: Monumento Nacional (MN) por Dec. N.º 129/77, DR 226, de 29 de Setembro de 1977.
  • Concelho: Penafiel
  • Estilo: Românico nacionalizado
  • Estado de Conservação: Bom 
  • Festa do Padroeiro: São Pedro de Abragão – 29 de Junho 
  • Horário do Culto: Sábado às 16h (Inverno), 18h (Verão); Domingo e Dias de Festa às 7h e às 11h. 
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Preço da Entrada: Gratuito 
  • Acesso p/ Deficientes: Em fase de planeamento 
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rrvs@valsousa.pt 
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Rua Paçal, freguesia de Abragão, concelho de Penafiel, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Caminha/Porto), da A3 (Valença/Porto) ou da A7 (Vila Pouca de Aguiar/Póvoa de Varzim) siga na direcção de Felgueiras pela A11 (Esposende/Marco de Canaveses) e depois na de Penafiel pela A4 (Amarante/Matosinhos). Saia no nó de Penafiel Sul/Entre-os-Rios da A4. Vire à esquerda para Penafiel (N15). Na rotunda localizada na entrada da cidade, não considere a sinalização da Rota do Românico e siga para a Circular Sul de Penafiel seguindo as indicações “V. Real / Amarante / Boelhe / Abragão”. Depois vire à direita para a estrada N320 na direcção de Abragão.

     

    Se vem do Centro ou Sul do País pela A1 (Lisboa/Porto) ou pela A29 (Estarreja/V.N. Gaia) entre no Porto cruzando o rio Douro através da ponte do Freixo e escolha depois a A3 (Valença).

     

    A partir do Porto poderá optar pela A4/IP4 (Vila Real) ou pela A41/A42 (Paços de Ferreira). Se escolher a primeira, saia no nó de Entre-os-Rios/Penafiel Sul e siga as indicações supracitadas. Se escolher a A41/A42 saia para Lousada Oeste seguindo depois para Penafiel pela variante à estrada N106. Tome a direcção de Entre-os-Rios. Na rotunda localizada à saída da cidade vire à esquerda para “V. Real / Amarante / Boelhe / Abragão”.

     

    Se já se encontra na cidade de Penafiel, tome a direcção de Entre-os-Rios pela estrada N15 (Murça/Ermesinde). Na rotunda à saída da cidade siga as indicações supracitadas.

  • Coordenadas Geográficas: Latitude: 41° 9' 26.601" N   /   Longitude: 8° 13' 20.889" O 
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História
História
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Igreja de São Pedro de AbragãoA existência da Igreja de São Pedro de Abragão está documentada desde 1105, data em que Paio Peres Romeu doa, em testamento, “a quarta parte de Sancto Petro de Auregam ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa”, embora tenha sido totalmente remodelada no século XIII, por iniciativa de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I, de acordo com a tradição.

Em 1668, a nave românica é demolida para permitir a construção de uma nova, mais ampla.

Em 1820, é-lhe acrescentada uma torre sineira. A cabeceira, e o respectivo arco cruzeiro, constituem os únicos elementos românicos que restam da construção original.

Personalidades Históricas
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Beata Mafalda (1195-1256)
D. Mafalda
Filha de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão. Dada em casamento a Henrique I de Castela, que morre dois anos depois, regressa a Portugal
para se instalar no Mosteiro de Arouca. O seu corpo incorrupto ainda ali se mantém.

A ligação de Beata Mafalda à região do Vale do Sousa advém da confiança que o rei D. Sancho deposita na família dos Ribadouro, entregando a educação da sua filha legítima Mafalda a Urraca Viegas, uma das filhas de Egas Moniz.



D. Sancho I
D. Sancho I
D. Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de Novembro de 1154-Coimbra, 26 de Março de 1211) foi cognominado de O Povoador, pela forma como promoveu o povoamento do território, nomeadamente através da criação das cidades da Guarda (1199), Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187) ou Bragança (1187), recorrendo a imigrantes da Flandres e da Borgonha.
  
Armado cavaleiro pelo seu pai, D. Afonso Henriques, assume a chefia do reino aos 18 anos, em 1172, depois de um acidente que incapacitou o rei durante a batalha de Badajoz, em 1169.
 
Liderou, enquanto Príncipe, uma campanha militar ofensiva na Andaluzia (1178), que lhe granjeou o apoio dos portugueses e do seu pai. Em resposta, os almóadas efectuaram várias incursões entre 1179 e 1184, ao mesmo tempo que Leão também retomava as hostilidades contra Portugal.
  
Aclamado rei a 9 de Dezembro de 1185, D. Sancho aproveita a morte do rei de Leão, a ausência do sultão de Marrocos em África e o apoio de uma armada de cruzados para encetar uma nova ofensiva contra os almóadas. Conquistado o Algarve, passa a ostentar o título de rei de Portugal e do Algarve.
  
O rei português foi responsável pela restauração das finanças do Reino e pela promoção da cultura em Portugal e no estrangeiro.

Cronologia
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Séc. XI-XII– Edificação original (desaparecida);

Séc. XIII – Edificação românica;

Séc. XVII (1668) – Reconstrução da nave;

1820 – Acrescento da torre sineira;

1975 – Suspensão das obras de remoção do pavimento, manutenção do pavimento original;

1991 – Substituição das portas exteriores;

1993 – Restauração da talha do altar-mor;

2004 – Obras de conservação geral da Igreja no âmbito do projecto da Rota do Românico do Vale do Sousa; limpeza, reforço e pinturas dos vãos exteriores, substituição de algumas caixilharias e instalação eléctrica; conservação e restauro da pintura do Calvário situada na sacristia;

2005 – Conservação do guarda-vento, obras de conservação de interiores e da sacristia e arranjo urbanístico do espaço envolvente, no âmbito do projecto da Rota do Românico do Vale do Sousa.

Especialidades
Arquitectura
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O monumento é um exemplar da arquitectura religiosa, românica e barroca, sendo uma Igreja de planta longitudinal, com nave setecentista a que se adossa a torre sineira e capela-mor rectangular abobadada em românico tardio do Vale do Tâmega a que se adossa sacristia.

A Igreja possui a cabeceira e o arco cruzeiro da época românica, as únicas reminiscências deste período estilístico. No exterior, um friso composto por motivos geométricos recorda o modo de decorar as igrejas das épocas visigótica e moçárabe, característica peculiar do românico português que revive esses estilos na arquitectura deste período.

Planta da Igreja de São Pedro de Abragão

A cabeceira rectangular é formada por dois tramos ritmados e, no exterior, por contrafortes escalonados para minorar a infiltração de águas pluviais. Quer a fachada principal, quer a nave, correspondem a uma reedificação da segunda metade do século XVII.

No interior, a abóbada de pedra de arco quebrado cobre toda a estrutura da cabeceira, abrigando um retábulo da época barroca. A decoração escultórica da capela-mor é de inspiração vegetalista, nomeadamente o arco triunfal encimado por uma rosácea em forma de estrela de cinco pontas, cuja decoração, executada a bisel, se reporta aos tradicionais temas da suástica flamejante, das rosetas de seis folhas e das palmetas.

Destaque, ainda, para as bases bulbiformes, as colunas adossadas e os capitéis muito volumosos em relação à pouca altura da cabeceira, cujos temas decorativos se assemelham aos do portal principal de outra edificação da região.

A escultura da época românica é caracterizada, em particular, pelo modo de esculpir os capitéis. Nesta Igreja, um deles apresenta atlantes na aresta que se apoiam em folhas. Outro, aves entrelaçadas pelo pescoço. A distribuição da escultura é, também, um elemento identificador do período românico.

Planta da Igreja de São Pedro de Abragão

Aqui, a escultura apresenta-se bem enquadrada no cesto dos capitéis: no capitel da esquerda as figuras-atlantes, cujas cabeças estão na aresta do cesto, acentuam a função de suporte da coluna; no da direita, as aves afrontam-se na aresta, sendo a face central do cesto ocupada por uma cabeça de animal que abocanha as caudas das aves.

A fachada principal e a nave datam do século XVII, conforme inscrições na obra de pedraria, inserindo-se na corrente maneirista, dentro de um gosto austero e depurado. As estruturas retabulares dos altares colaterais e do altar-mor, no interior da Igreja, bem como a pintura policromada sobre pedra na parede contígua ao arco triunfal e nas paredes e tecto da capela-mor são, claramente, elementos de influência barroca.

Arqueologia
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Vários elementos arquitectónicos da época românica foram encontrados aquando dos trabalhos do arranjo urbanístico do Centro Cívico de Abragão, realizados no âmbito da Rota do Românico do Vale do Sousa.

Peças aparelhadas, umas, esculpidas, outras, outrora pertencentes à antiga nave da Igreja reedificada na segunda metade do século XVII, foram incluídas na construção das paredes do edifício que serviu de oficina de ferreiro.

Achados da Igreja de São Pedro de Abragão

Foram encontrados capitéis, bases, aduelas e fustes pertencentes a um portal que, pela dimensão e quantidade, permitem aos especialistas considerar tratar-se do portal principal da Igreja.

As peças escultórias encontradas – capitéis com animais afrontados, palmetas tratadas a bisel, aduelas esculpidas com motivo de círculos secantes – aproximam-se das que se podem ver nas Igrejas de São Gens de Boelhe e do Salvador de Paço de Sousa, ambas em Penafiel.

Achados da Igreja São Pedro de Abragão

Para os responsáveis pelos trabalhos arqueológicos realizados em Abragão, a surpresa maior reside na dimensão e qualidade escultórica da rosácea que vários elementos testemunham.

Esta descoberta permite avaliar que as rosáceas das outras igrejas românicas da região foram objecto de modificações, e que a dimensão da rosácea deixa perceber que a nave da Igreja seria de escala bem superior à cabeceira, revelando uma igreja de grande monumentalidade.

A cabeceira e o respectivo arco constituíam, até à data destes achados, os únicos elementos românicos que restavam da construção original.

Achados da Igreja São Pedro de Abragão

Assim, esta nova descoberta permitiu enriquecer o valor patrimonial da Igreja e o seu estudo vai contribuir para aumentar o conhecimento sobre o monumento, em particular, e as construções românicas da região do Vale do Sousa, em geral.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da RRVS, no qual foram definidas as linhas directrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projectos técnicos de execução e respectivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, definiram-se as condicionantes que se consideraram de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

Envolvente da Igreja de São Pedro de Abragão

O objectivo do estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Protecção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Procedeu-se, também, à definição das áreas de actuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios, ao mesmo tempo que corrige e/ou cria estruturas e infra-estruturas de apoio.

Em relação a este imóvel, o estudo indica como prioridades a limpeza das margens da ribeira do Sardoal, a beneficiação geral e a hierarquização dos três largos existentes, a valorização das construções devolutas implantadas no local, a integração paisagística do loteamento a norte da Capela de Nossa Senhora da Saúde e o ordenamento do território a nascente da Igreja.

As obras irão principiar a partir de 2009, no âmbito de uma candidatura apresentar ao QREN.

Recuperação e Valorização
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A Igreja foi classificada como valor concelhio em 1975, tendo recebido obras de modificação do pavimento do adro envolvente, incluindo a disseminação de cascalho para acolher o acabamento previsto de betonilha esquartelada.

Entretanto, a classificação é alterada para Monumento Nacional suspendendo a intervenção e repondo-se o pavimento original. O forro da nave é envernizado em 1977, pela paróquia.

No ano de 1991, as portas exteriores da Igreja são substituídas e, dois anos depois, a paróquia procede ao restauro da talha do altar-mor.

Recuperação da Igreja de São Pedro de Abragão

A maior intervenção decorreu em 2004, visando a conservação geral do imóvel e que incluiu intervenções que envolveram as coberturas, os vãos exteriores, o tecto da nave, os paramentos interiores das duas capelas colaterais, a capela do baptistério, a execução de três portas interiores engradadas em ferro, os cabeçotes e a reposição do funcionamento dos sinos e a reformulação da instalação eléctrica da Igreja.

Na cobertura da capela-mor foi removida a telha existente, reparada e reforçada a estrutura com a substituição de madeiramentos degradados por outros iguais, reparados e regularizados os coroamentos dos paramentos nas zonas de entrega da estrutura da cobertura com a reposição pontual de alvenaria de granito e tomação de juntas com argamassa de cal e areia ao traço 1:3, entre outras intervenções como, nomeadamente, a desinfestação curativa e preventiva de todos os madeiramentos contra a acção de insectos xilófagos e fungos. Intervenções semelhantes foram efectuadas na cobertura da nave e da sacristia.

Nos vãos exteriores, procedeu-se à decapagem da pintura existente em portas e janelas. Nas primeiras efectuou-se a reparação de madeiramentos com a substituição dos que se encontravam apodrecidos ou deteriorados por outros idênticos aos originais, afinaram-se e reforçaram-se as esquadrias, antes de se proceder ao polimento geral dos madeiramentos, que também se verificou no caso das janelas. Para o acabamento foi utilizada pintura a tinta de óleo de brilho mate.

Recuperação da Igreja de São Pedro de Abragão

A rosácea viu serem-lhe retirados os vidros existentes e substituídos por outros, simples e incolores.

O verniz dos madeiramentos do tecto e sancas da nave foram removidos, antes da preparação das superfícies com enceramento a cera virgem liquidificada e aplicada à talocha, após uniformização de cor das áreas reintegradas com recurso a anilina diluída em água.

Para os paramentos interiores das duas capelas colaterais, limparam-se as juntas em profundidade através da remoção de toda a argamassa de cimento, para as refechar com argamassa de cal e areia ao traço 1:3, à qual foi adicionado um produto hidrófugo.

O acabamento das superfícies foi rebocado com pintura a cal e fixador. Para a intervenção para conservação da capela colateral de baptistério foi utilizado um processo muito semelhante, ao qual se acrescentou a aplicação de lageado no pavimento, com cor e grão idêntico à pedra existente, assente sobre betonilha de regularização e incluindo tomada das juntas; a revisão geral do gradeamento de ferro existente na capela, nomeadamente a decapagem da tinta existente, a aplicação de sub-capa e repinte com tinta plumbagine; a remoção do verniz existente na tampa em madeira da pia baptismal; e a preparação das superfícies para o acabamento em madeira com enceramento a cera virgem liquidificada e aplicada à talocha.

Recuperação da Igreja de São Pedro de Abragão

As obras de conservação implicaram, ainda, a remoção das portas em madeira existentes no acesso ao púlpito, ao coro e á torre sineira, substituídas por outras em ferro, com acabamento pintado a plumbagine.

Finalmente, procedeu-se à intervenção com vista à conservação e reposição do funcionamento dos sinos, incluindo a decapagem da pintura dos madeiramentos e elementos metálicos; a reparação dos madeiramentos dos cabeçotes dos sinos e substituição dos em estado de deterioração por outros idênticos aos originais; o preenchimento de fissuras e lacunas com embutidos de madeira idêntica e/ou com a utilização de uma massa composta por serrim e cola de carpinteiro; o polimento geral de todos os madeiramentos; a aplicação de aparelho e polimento do mesmo em duas etapas cruzadas; o acabamento com pintura a tinta de óleo na cor idêntica à dos vãos, de brilho mate; e a pintura dos elementos metálicos a tinta de óleo a negro baço.

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Bibliografia
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